REVIEW | Tunche é uma divertida aventura na floresta amazônica

Quem não gosta de um bom beat ‘m up? Popular na época dos fliperamas e durante boa parte dos anos 1990, o gênero ficou meio esquecido até que os jogos indies reviveram-o. O problema é que o mercado de games se encontra um pouco saturado de games desse estilo e de baixa qualidade. Felizmente, esse não é o caso de Tunche, que convida o jogador a se aventurar em lutas empolgantes no meio da floresta amazônica.

Uma cópia digital de Tunche para Xbox me foi cedida para análise e, depois de desbravar a floresta e desvendar seus segredos na base da porrada no Xbox Series S, trago uma review completa desse indie charmoso e muito divertido.

Bem-vindo à Selva!

O grande diferencial de Tunche e que destaca ele dentro do gênero beat ‘m up é explorar o folclore peruano como pano de fundo da aventura e também como elemento principal para moldar os personagens e o combate. E foi justamente esse diferencial que permitiu ao game ter uma campanha bem sucedida no Kickstarter que começou em 2019.

Tunche é colorido e cheio de animações vibrantes que parecem ter saído diretamente de um livro de contos infantis. Mas não se engane pelo visual “fofo”: Tunche consegue ser uma aventura desafiadora na medida certa. Ao se aventurar pelo interior da floresta amazônica você encontrará todo tipo de criatura, desde sapos mal-encarados até escorpiões ferozes.

Além da mecânica principal de beat ‘m up aliada ao tema do folclore peruano, Tunch traz outra grande novidade: elementos roguelike. Pode parecer bizarro combinar esse tipo de estilo com uma experiência mais focada em pressionar botões loucamente para derrotar seus inimigos, mas ela funciona razoavelmente bem dentro da proposta de Tunche.

Por essa razão, você irá querer ficar ligado no sistema de progresso do game que envolve moedas, pontos de experiência e orbes mágicos. À medida que você desbrava a floresta, você conquistará mais itens que poderão ser trocados por novas habilidades e até poções para salvar seu personagem na hora do aperto. A principal diferença em Tunch é que, ao contrário de outros games do gênero roguelike, você pode melhorar seu personagem preferido antes de partir para a pancadaria, ao invés de fazer os melhoramentos durante a partida.

Na natureza selvagem

Os personagens são cheios de personalidade e com características únicas que você terá que escolher com cuidado antes de começar cada partida para obter as maiores vantagens possíveis. Mesmo assim, os cinco personagens disponíveis(Rumi, Pancho, Qaru, Nayra e até mesmo Hat Kid do game A Hat in Time) são estruturados em cima de uma mecânica padrão: um ataque simples que pode gerar combos e uma habilidade especial.

Enquanto a jogabilidade de todos os personagens é bem equilibrada, o sistema de recompensas de Tunche não é. O tipo e quantidade de recompensas que você receberá em cada combate com os inimigos vai variar de acordo com a classificação da luta. E isso é um problema no começo da aventura quando você fica limitado a repetir os mesmos tipos de ataques e combos, preso no ranking D (o pior deles). Além disso, núcleos de energia que podem adicionar danos de raio ou veneno aos seus ataques só se tornam disponíveis se você conseguir ranking A durante o combate.

Esse sistema funciona até certo ponto para criar um loop de gameplay conciso e encorajar o jogador a dominar os primeiros cenários do game, mas o problema é que os níveis não oferecem muito ao serem revisitados. Felizmente, as batalhas contra os chefões são um show à parte, com o jogador enfrentando versões grotescas e perigosas de bichos antes amigáveis que viviam na floresta.

Dando vida aos mitos da floresta

Mesmo que quase nada não mude entre uma partida e outra em Tunche, o game tem seu charme e consegue acertar em quase todos os sistemas que ele propõe. O exagero de tutoriais no começo pode incomodar um pouco mas, levando em conta todos as diferentes mecânicas que o game oferece é uma boa ideia prestar atenção aos textos e conselhos dos NPCs antes de sair para a porrada.

Explorar elementos do folclore de um país sul-americano para criar uma atmosfera única é uma adição bem-vinda no cenário dos games indies e apresentar isso até mesmo no formato de histórias em quadrinho em pequenas cutscenes aproxima mais o jogador desse universo cultural tão rico e tão negligenciado.

Opinião final: MUITO BOM

Por Luís Antônio Costa

O Ponto e Vírgula é uma página que pausa a rotina cotidiana para falar de tudo e mais um pouco, por Luís Antônio Costa.

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